segunda-feira, 1 de julho de 2013

Sumo silvestre


Nas primeiras publicações deste blog escrevi sobre a minha rotina diária de “purificação” através dos sumos verdes. Ao longo dos últimos meses sugeri a várias pessoas para incluírem sumos naturais na dieta alimentar. Os resultados são positivos e há até quem tenha ficado viciado!
  Preparar uma refeição ou um sumo saudável dá sempre mais trabalho do que qualquer sumo ou refeição embalada contudo, os benefícios são muito diferentes.
  Imaginem começar o dia eliminando a etapa do processo digestivo e fornecendo ao corpo os nutrientes necessários...
  Seleccionar legumes frescos, adicionar um fruto (preferencialmente maçã) e beber o sumo de imediato fornece ao organismo 95% do valor alimentar dessa fruta e desses legumes, uma enorme quantidade de vitaminas e de sais minerais que são imediatamente absorvidos. O sumo é também uma bebida rica em água – a solução onde ocorrem os processo celulares do organismo – o que ajuda a controlar a temperatura do corpo e a libertar toxinas.
  Ingerir um sumo verde em jejum é nutrir o organismo de um elevado número de nutrientes que de outra forma seria difícil conseguir ao longo do dia – riqueza em clorofila,
magnésio, antioxidantes, ácidos fólicos, ferro, vitamina C, zinco. Todos estes nutrientes trazem imensos benefícios como o fortalecimento do sistema imunológico, a eliminação de toxinas, o equilíbrio do sistema nervoso, a prevenção da anemia, a prevenção de enxaquecas e de espasmos musculares, a limpeza do fígado, a perda de obstipação e a melhoria do nível geral de saúde. Ajudam também a perder peso ao contribuírem para libertar a água que está retida no organismo.


  No meu sumo, que bebo sempre em jejum, utilizo maçãs por serem um fruto compatível com todos os legumes e por ser rico em pictina que ajuda a eliminar os metais pesados do corpo. A selecção de legumes verdes pode variar de acordo com o gosto e com a estação.   Normalmente utilizo couve, espinafres ou acelgas, nabo, rabanete, pepino, brócolis, gengibre, cenoura, água e umas gotas de limão.
Se sentirem fome, após 20 minutos já podem comer....

  Vou deixar-vos a sugestão de um outro sumo. Uma bebida sazonal para um lanche ou em substituição de um almoço. Um sumo de frutos vermelhos, bastante nutritivo e riquíssimo em antioxidantes. Utilizei cerejas, amoras e framboesas. Estava delicioso!

  Desde criança sempre adorei a época das cerejas. Brincar com o fruto, pendurá-lo nas orelhas imitando brincos, satisfazia o meu imaginário...
  As cerejas são poderosos antioxidantes, auxiliam no equilíbrio metabólico, combatem inflamações, regulam o colesterol, ajudam a eliminar toxinas e são ricas em fibra.

  As framboesas são dos frutos mais aveludados e delicados que conheço e são poderosos no combate aos radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento celular. São um fruto ideal para repor a energia do organismo e ricos em sais minerais, proteínas e vitaminas.

 Por último, acrescentei amoras que superam todas as quantidades de cálcio que supostamente o leite teria. São nutritivas, pouco calóricas, ricas em proteínas, vitamina A e C, fibras, magnésio, ferro e antocianinas que actuam como antioxidantes.

  Tantos nutrientes apenas num copo de sumo. Dá que pensar....

Ingredientes:


cerejas sem caroço
framboesas
amoras
água mineral


Triturar tudo no liquidificador, passar por um coador e beber de imediato!







Bon appétit!

© veggie delicious food, Julho 2013

domingo, 23 de junho de 2013

Medalhas de beterraba e de pepino ao recheio cremoso - receita crudívora

  
A influência da lua sobre a natureza e a relação entre os ciclos da vida e as fases da lua são inquestionáveis. Por isso mesmo, hoje é um dia especial porque a lua atinge o seu ponto mais próximo da Terra e podemos observá-la maior e mais brilhante. A sua proximidade exerce um campo magnético envolvido por uma energia especial, cuja força podemos assimilar com maior vigor.
  Inspirada neste momento e na forma da lua, decidi preparar um prato baseado no círculo e preparei umas medalhinhas de beterraba e de pepino.
  A beterraba é uma raíz com um sabor doce pela sua riqueza em açúcares. Para preservar todas as suas propriedades, o ideal é consumi-la crua, mantendo assim a sua riqueza em ferro, proteínas, vitamina A, B1, B2, B5, C, potássio, sódio, fósforo, cálcio, zinco, ferro.     Trata-se de uma raiz saborosa, com uma cor linda e que é eficaz no combate à anemia e purificadora do fígado e do sangue.
  Quando compramos beterraba devemos verificar se a casca está lisa, a cor uniforme e as folhas brilhantes.
  Utilizei também pepino para equilibrar o doce da beterraba. O pepino é um diurético natural devido ao seu elevado teor em água. É pobre em calorias, rico em fibras, caroteno, magnésio e potássio. Contribui para a saúde óssea e para a flexibilidade muscular.
  Quando compramos pepino devemos verificar se a casca está firme, brilhante e luminosa.
Para rechear as medalhas preparei um creme à base de abacate, pasta de sésamo, limão e coentros - um preparado bastante rico e muito saboroso.
  Adoro abacate. Acho que foi o fruto que mais comi quando era criança pois na zona onde cresci havia abacates deliciosos!
  Embora o abacate seja um fruto bastante gorduroso, as suas gorduras são saudáveis e podem inclusivamente ajudar a perder peso por equilibrarem o organismo. É um fruto completo, rico em proteínas, vitaminas e calorias. Salientam-se os omega 6, 7 e 9, a vitamina E, o betacaroteno, potássio, magnésio e ácido fólico.
  Complementando as propriedades e o sabor do abacate, adicionei pasta de sésamo (tahin).
  A pasta de sésamo é bastante conhecida pela sua utilização em receitas Mediterrâneas e do Médio Oriente, como o tradicional “hummus”. Trata-se de uma manteiga obtida de forma natural através das sementes de sésamo que são tostadas e depois moídas até formarem uma pasta rica em cálcio, proteínas, vitaminas e gorduras de boa qualidade.     Humm, já estou com água na boca...
  Para neutralizar a acidez interna do nosso organismo e obter um efeito alcalino adicionei sumo de limão. O limão é um fruto curativo que actua como antibiótico e tem propriedades bactericidas e é em vitamina C.

Ingredientes:
(serve 2)






































2 beterrabas
½ pepino
1 abacate
1 colher de sopa de tahin
1 + ½ colher de sopa de sumo de limão
1 mão cheia de coentros frescos
sal q.b.
1 colher de sopa de azeite
rebentos de alfafa
sementes de sésamo
2 morangos

Lave e retire a casca das beterrabas.
Corte em rodelas muito finas (cortei no robot de cozinha)
Salpique com sal e com o azeite. Deixe repousar durante 15 minutos para que fiquem maleáveis e activem as suas propriedades. 

Corte o abacate ao meio e retire a polpa. Coloque no liquidificador e acrescente a pasta de sésamo, os coentros, o sumo de limão e o sal. Triture até obter uma pasta cremosa e rectifique o tempero.

Corte o pepino em rodelas muito finas.

Lave os morangos e corte em fatias.

Comece a preparar o prato:

Disponha rodelas de beterraba e de pimento. Coloque o recheio por cima e cubra com nova rodela. Por cima coloque alfafa e morangos. Salpique com sementes de sésamo.



Nota: as medalhas de pimento têm um sabor intenso. Caso não goste, pode substituir por rodelas de courgette e nesse caso, salpique-as também com sal e azeite.

Bon appétit!

© veggie delicious food, Junho 2013

segunda-feira, 17 de junho de 2013

Pão de beterraba








  O fabrico do pão surgiu na Mesopotâmia, paralelamente com o cultivo do trigo e tem mais de 12.000 anos de tradição. O seu  desenvolvimento centrou-se no Egipto e mais tarde difundiu-se pela Europa Mediterrânea e pelo resto do mundo.
  O pão adquiriu uma grande importância cultural e religiosa e, hoje em dia, encontra-se presente em quase todas as refeições. É um alimento universal, com muitas variedades e tradições, dependendo dos países e das regiões.
  Actualmente o pão enche as prateleiras das padarias e supermercados, numa produção massiva, que envolve, quase sempre, produtos industrializados e de condição precária.
 Decidi começar a fazer pão há cerca de um ano. Desde essa altura, nunca mais consumimos pão industrializado e, para mim, é uma grande satisfação confeccionar pães variados, com texturas e sabores diferentes.
  O meu pão favorito é o de beterraba, que tenho vindo a aperfeiçoar nos últimos meses.
  Para a confecção deste pão utilizo farinha espelta que é uma farinha com propriedades muito ricas para quem opta pelo regime vegetariano por ser uma proteína de qualidade e por conter os 8 aminoácidos essenciais.
  O espelta é uma variedade de trigo cultivado há cerca de 7.000 anos e a sua qualidade é superior à do trigo actual. Proporciona uma digestão mais leve do que o pão à base de farinha de trigo e por ser digerido mais lentamente, dá a sensação de saciedade por mais tempo.

Ingredientes:
(10/12 bolinhas)

Nota: Esta receita foi desenvolvida por mim, ao longo de vários meses e através de várias experiências. Caso queira publicá-la, por favor, refira a fonte. Obrigada.




























































800 gr de farinha espelta + 150/200 gr farinha adicional
350 gr de beterraba ralada
1 colher de sopa de sal integral
3 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de chia demolhadas durante 2h
1 saquetade de fermento bio em pó para pão(uso da Lecker's, Bio Hefe, 9 gr)
400 ml de água tépida

Comece por colocar as sementes de chia num recipiente e cubra com água. Deixe repousar durante 2h.
































Prepare os ingredientes:

Lave, descasque e rale as beterrabas.

Meça a farinha.

Aqueça ligeiramente a água até que fique agradável ao toque. Atenção a água não pode ficar nem demasiado quente, nem demasiado fria.

Coloque a farinha numa taça grande e misture o sal.

Faça uma cova no meio da farinha e acrescente o azeite e depois 200 ml de água.
Envolva com uma colher de pau (não utilize metal).

Acrescente as sementes de chia que estão agora em forma de gelatina, as beterrabas e a restante água. Envolva bem.

Coloque o preparado numa superfície de trabalho onde possa amassar o pão.

Atenção: a quantidade de água referida na receita pode variar tendo em conta a humidade e a temperatura do ar no dia em que confecciona o pão.
A quantidade de farinha adicional, varia também, em proporção com a quantidade de água.

Amasse a massa, pelo menos durante 10 minutos.
























































































Utilize o pulso da mão utilizada para trabalhar e pressione a massa com suavidade pois o objectivo é obter um pão leve. Com a outra mão, rode a massa fazendo pequenos círculos.
Polvilhe a superfície de trabalho e a massa frequentemente para que possa continuar a amassar.

Faça uma bola e coloque a massa numa taça de vidro polvilhada com um pouco de farinha.



 Cubra a taça com um pano e coloque no forno para fermentar. Acenda a luz do forno.

Utilize uma taça com tamanho suficiente para que a massa possa crescer para o dobro.
Deixe repousar entre 3 a 4 horas, ou mais.

Após o tempo referido, retire a massa do forno e vaze, pressionando o punho no centro da mesma.

Retire a massa da taça e com movimentos circulares, forme uma bola.

Deixe repousar 5 minutos, enquanto prepara as formas, forma ou tabuleiro, dependendo do formato de pão que queira obter. Eu utilizo apenas um tabuleiro forrado com papel vegetal.

Chegou a altura de tender a massa.

Divida a massa em 10/12 proporções, dependendo do tamanho das bolinhas.
Polvilhe as mãos com farinha e a superfície de trabalho também.
 Espalme cada bolinha para eliminar qualquer bolha e role até obter a forma pretendida.






























Coloque no tabuleiro e leve de novo ao forno, apenas com a luz acesa.
Deixe levedar entre 30 a 45 min até que a massa fique fofa.
Para saber se o processo de levedura finalizou, pressione o dedo no centro de uma das bolinhas e se a massa lentamente voltar à forma inicial, o processo estará completo.

Retire o tabuleiro do forno, tape as bolinhas com um pano.

Pré-aqueça o forno a 250º durante 10 minutos.

Reduza a temperatura do forno para 200º e coloque o tabuleiro no meio do forno ( sem pano, claro).

Deixe cozer 20 a 30 minutos até sentir o aroma do pão.

O tempo de cozedura pode variar tendo em conta o tamanho das bolinhas e o forno também.
Para saber se o as bolinhas ficaram cozidas, bata suavemente por baixo. Se ouvir um som oco, o pão está cozido.
Se o pão não produzir um som oco, coloque um pouco mais no forno.

Espero que goste tanto quanto nós...

Bon appétit!
© veggie delicious food, Junho 2013

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Favas à moda "cá de casa"







   Junho, é um mês especial em Lisboa. Por esta altura os bairros adquirem um atmosfera muito animada na celebração dos santos populares. A comida, a bebida e a dança são alguns dos argumentos para uma euforia contagiante.
  Dos pratos típicos desta época os vegetarianos podem apreciar o famoso caldo verde com a particularidade de acrescentarem rodelas de chouriço de soja para acompanhar e como prato principal, porque não, umas favas preparadas à “moda cá de casa”?
  As favas são uma planta da família das leguminosas e uma das culturas mais antigas, já apreciada pelos antigos Gregos, Egípcios e Romanos. Sendo a sua origem incerta, calcula-se que sejam da região do Cáspio e do Norte de África. Como é uma planta facilmente adaptável a climas mediterrâneos, podemos encontrá-la facilmente nesta altura do ano. A fava é rica em proteínas e hidratos de carbono.
  Adicionei um legume que reforce ainda mais o sabor das favas e considerei que a acelga seria perfeita! Trata-se de uma hortaliça da família da beterraba e dos espinafres e um dos legumes mais completos, com quantidades consideráveis de niacina, vitamina A, vitamina C, fibras e ácido fólico.
  Apresenta talos longos e firmes e toda a planta pode ser ingerida. Os talos podem ser verdes, vermelhos ou amarelos, permitindo enriqucer visualmente o prato.
   Para obter um sabor silvestre, adicionei os meus cogumelos preferidos. Acompanhei com arroz semi-integral, que embora não seja 100% integral, mantém muitas propriedades originais e tem a vantagem de ter um tempo de cozedura mais reduzido e apresentar uma textura mais suave.

Ingredientes:
(serve 3)

















































































2 mãos de arroz semi-integral
3 chávenas de favas frescas
9 folhas de acelga
9 cogumelos
3 cenouras pequenas
1 courgette
2 dentes de alho
2 colheres de sopa de azeite
2 colheres de sopa de shoyu
sal
sementes de sésamo.



Lave o arroz e deixe a repousar, dentro de um recipiente com água, durante 20 minutos.

Prepare os restantes ingredientes:

Lave as favas e coza no vapor até que fiquem macias.

Lave as cenouras, corte em tiras e coza no vapor até que fiquem al-dente.

Lave a courgette, retire a casca, corte em rodelas finas e faça corações para decorar o prato. Reserve.






























Lave as acelgas. Separe os talos e corte em quadrados pequenos. Migue grosseiramente as tiras.

Coloque um tacho a fogo com água e o arroz ( a quantidade de água deve ser duas vezes superior à do arroz). Deixe levantar fervura, tempere com sal, tape e cozinhe em fogo fraco entre 18 a 20 minutos.

Enquanto o arroz coze, limpe os cogumelos com um pano e corte em lascas.
Pique os alhos e aloure no azeite.
Adicione os cogumelos e cozinhe durante 2 minutos.
Acrescente os talos de acelga e cozinhe durante 1 minuto.
Acrescente as folhas de acelga e envolva bem. Cozinhe por 2 minutos e acrescente depois as favas e as cenouras.
Tempere com shoyu e sal e mexa durante 3 minutos.
Acrescente as sementes de sésamo a gosto e apague o fogo.
Sirva com o arroz decorado com os corações de curgete.





























Bon appétit!
© veggie delicious food, Junho 2013